9.10.15

Tudo morre - até o amor -, quando a palavra morre...

No encontro saudável entre um homem e uma mulher, a palavra precede o amor. Antes de se tornarem um pela união dos corpos, eles tornam-se um pela harmonia da palavra. O encontro dos corpos não substitui o encontro da palavra. No amor, a palavra se faz corpo - a palavra se faz carne. Sim, sem o encontro íntimo da palavra, o encontro dos corpos é muito superficial e insatisfatório. Sem a intimidade da palavra, tudo intimida. Entre um homem e uma mulher, a história do amor é, no fundo, a história do diálogo que eles conseguem manter entre si. É a palavra mútua que dá sentido ao relacionamento. A palavra é sabedoria, é amor, é amizade, é pergunta, é resposta, é alegria, é romance, é poesia e é criatividade. A qualidade do falar e do ouvir determina a qualidade da saúde geral do relacionamento. Sim, o amor possui uma necessidade inata de se expressar em voz alta, de modo que, tudo morre, quando se nega ao amor o dom da palavra. Quem ama, sente necessidade de dizer que ama. E quem é amado, sente necessidade de ouvir que é amado. Fora das palavras de amor, não existe entendimento, e o amor acaba em frustração. O fim da palavra é o começo da solidão. O fim da palavra é o começo do grito. O fim da palavra é o começo do desprezo. O fim da palavra é o começo do fim do relacionamento. Nada sobrevive onde a palavra não sobrevive. A ausência da palavra não é silêncio, é vazio, é solidão. A palavra é amor. A palavra é comunhão. Sim, quem ama chama pela presença do outro. Quem ama atende ao chamado do outro. A falta de diálogo precede a morte do relacionamento. Não existe - nem pode existir – verdadeiro amor, onde não existe verdadeiro diálogo. Amor é harmonia geral de um ser com outro ser. Amor é ternura geral de um ser com outro. O amor acontece quando duas pessoas - pela palavra mútua - afinam uma com a outra os seus ritmos espirituais e físicos. Quando a vida de um se encontra e se harmoniza perfeitamente com a vida do outro, tudo é amor. Sim, o amor acontece quando um fala a língua do outro. Casais que mal se falam e que mal se olham, são necessariamente casais que mal se tocam e mal se amam.  Sim, tudo morre - até o amor -, quando a palavra morre...
VBMello