16.8.14

O Amor Nunca Acaba, Mas Muda a Forma de Amar...

Uma ideia de amor
E consequentemente
A prática desse amor
Que exclua de si a ideia
Da eternidade do amor
Ainda não é ideia de amor
Ainda não é gesto de amor
No máximo, é intenção de amar
Ou qualquer outra coisa
Mas ainda não é amar
É, talvez, brincar de amar...
***
Porque o amor, o amor mesmo, embora no correr do tempo possa mudar a sua forma de amar, e de fato muda, não acaba nunca: Porque o amor é eterno...
E quem ama, não odeia. De modo que, aquele que odeia e destila maldições sobre quem um dia amou, nunca amou. Foi tomado por uma ilusão de amor, organizou com o outro um jogo de conveniências amorosas, econômicas e (ou) religiosas, e batizou tudo com o pomposo nome de amor, e se afundou em imaginações ilusórias sobre o fundamento da vida a dois. Construiu castelos sobre a areia das suas fantasias de amor. Imaginou que amou, e a partir das suas imaginações de amor, inconscientemente, simulou amor, brincou de amar, mas amar mesmo, nunca amou... E porque se sabe que nunca amou? Porque agora que a ilusão de amor chegou ao fim, jura ódios eternos a quem um dia, inconsequentemente, jurou amor eterno. Que ideia de amor é essa, que ora é juramento de amor, ora é juramento de ódio? Não, não é assim que acontece com quem compreendeu, e viveu uma vida de amor com alguém. Quem compreendeu o amor, sabe que o amor nunca acaba. Numa verdadeira relação de amor, o amor não é um acidente, não é uma circunstância casual, não é a aparência, é a essência. Numa verdadeira relação de amor, o amor é o princípio - o meio - e o fim da relação. Com isso se quer dizer que a vida vivida em amor, começa pelo amor, prossegue pelo amor, e, se for o caso, termina sob a atmosfera do amor. Em momento algum, o ódio, a indiferença e a maldição entram na equação do amor. Quando, para duas pessoas que andavam juntas, viviam juntas - e que realmente compreenderam o que é amar -, e a partir dessa compreensão dormiam juntas, dividiam a mesma casa, a mesma mesa, a mesma cama, a mesma vida e as mesmas expectativas de futuro... Enfim, quando para eles, sonhar a vida juntos tornou-se algo absolutamente inviável - se eles de fato se amaram -, então, o fim não representará para eles a chegada do ódio e da indiferença um pelo outro, mas apenas uma saldável mudança na forma de amar. A antiga paixão não é mais viável – nem recomendável -, mas, se ela de fato, até então, aconteceu sob a atmosfera de um verdadeiro amor e compromisso com o crescimento do outro, mesmo após o fim do relacionamento, o amor continuará sendo amor, só que agora na forma de amizade, respeito e gratidão pelo tempo que eles viveram juntos... Cada um seguirá para novos destinos, e seja lá qual for o caminho que escolherem, seguirão por ele de cara limpa e coração tranquilo, olhando a vida de frente, e levando com eles as boas memórias do tempo em que viver junto era absolutamente muito mais viável - e prazeroso como homem e mulher -, do que o tempo que eles vivem agora... Entretanto – e essa tem sido e regra (E por isso é natural que muitos discordem do que está escrito aqui)-, se a relação que eles viveram - tenha ela durando um ano, dez anos, ou quarenta anos - não foi toda ela fundamentada e vivida em espirito de liberdade, verdade e atmosfera de um amor verdadeiro, o que implica necessariamente trabalhar duro pelo crescimento do outro em todas as suas dimensões... Então, no fim de tudo, quando a ilusão e a conveniência do amor deles acabar, cada seguirá para o seu canto destilando ódio e rancor um pelo outro... (E se tiveram filhos, as crianças inevitavelmente entrarão como piões nesse joguinho sórdido de amor e ódio)... Mas nesse caso, isto é, no caso desse suposto casal, é bom que se diga que o que eles viveram não foi amor, mas sim uma experiência de conveniência, cheia de altos e baixos de dores e prazeres, às vezes, mais de dores e arrependimentos do que de felicidade e contentamento, uma vez que o suposto prazer sempre entra nessa conta, como forma de compensar a dor gerada pela ausência de amor, portanto, não é prazer pelo prazer de ter e dar prazer, mas sim prazer usado taticamente como instrumento de reparação da dor que causou por falta de amor... Mas não é por esse motivo que se dá e se recebe prazer, quando se ama... Nesse caso, o prazer se tornou apenas uma mísera forma de evitar o fim da conveniência. Mas não é assim com o amor, porquanto, o amor passa muito bem sem tipo de amor, pois o amor, e somente o amor, é o verdadeiro prazer do amor. Sim, o amor somente se satisfaz com o amor, e essa satisfação é o seu prazer, que não é prazer usado como compensação de nada, mas apenas prazer de amar. Sim, o amor nunca acaba, mas muda a sua forma de amar, posto que é dinâmico... Entretanto, nunca muda – jamais - em ódio e rancor, posto que é, amor... E o amor é eterno.


VBMello