28.5.15

Amar não apenas de todo coração... Mas também de todo entendimento...









Amar qualquer coisa com toda a força do nosso coração -
Até mesmo amar a Deus
É o primeiro passo para se tornar um fanático
Ou, no mínimo, uma pessoa muito chata
Porque o amor - assim como o culto a Deus
Não é somente coisa do coração
É também coisa da razão
*
Por exemplo - Os fariseus diziam que amavam a Deus
E que amavam também a Abraão e Moisés “de todo coração”
E tanto amor deu no que deu... Quando Jesus apareceu
No meio dele – Os apaixonados por Deus, Abraão e Moisés
Odiaram e desprezaram a Jesus Cristo
*
Que ironia! Que cegueira! Que amor estranho!
Diziam amar o Pai, mas tramavam a morte do Filho dele
*
Jesus sabia muito bem qual era a natureza mesquinha
Do amor deles... Sabia perfeitamente o que é que eles amavam
Claro... No fundo no fundo eles só amavam grana, aplausos e elogios
*
Juravam amar a Deus, Abraão e Moisés, mas eram invejosos
Gananciosos e mesquinhos...
Sim, o grande problema deles com Jesus foi a inveja
*
Pilatos que conhecia bem os fariseus e os sacerdotes
Logo percebeu que a inveja era a causa principal
Da perseguição que moviam contra Jesus
*
Tempos depois, Paulo, que tinha sido um fariseu cruel
Escrevendo sobre o verdadeiro amor
Quase que pedindo desculpas pelo seu antigo modo de vida
Diz: O amor é sofredor, é benigno;
O amor não é invejoso; o amor não se vangloria,
Não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente,
Não busca os seus próprios interesses, não se irrita,
Não suspeita mal; não se regozija com a injustiça,
Mas se regozija com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
*
Por sua vez, a grande acusação de Jesus contra os fariseus
Vinha do fato de eles falarem uma coisa, e praticarem outra
Fingiam uma aparência de misericórdia
Mas na prática negavam a sua eficácia
Diziam amar, mas no coração eram agentes da morte e do o ódio
Diziam amar a Deus, mas odiavam o próximo
E Juravam morte aos inimigos
Ao passo que Jesus pregava o perdão e ao amor aos inimigos
*
Eles não perdiam uma oportunidade de afrontarem Jesus
E Jesus não fugiu ao enfrentamento da hipocrisia deles
Jesus os chamou – na cara - de raça de víboras
Filhos do diabo e hipócritas - e mais ainda:
Disse que todos eles eram filhos do diabo
E não eram?
*
O príncipe deste século os havia cegado
Eles confundiam fanatismo, inveja e ódio com amor
Ah, meus irmãos... É triste dizer isso
Mas ainda existem muitos desses fariseus entre nós
Gente que diz amar... Gente que fala sobre o amor
Mas na hora do "vamo vê" só amam o próprio umbigo
*
O amor e o comportamento de Jesus os confundiam
Avesso a fanatismos, ódios e invejas
Ele não fazia acepção de pessoas.
Todos eram iguais para ele
A todos ele acolhia e abraçava igualmente
*
Sem ostentar parecer ou formosura - como um servo de todos
Ele andava livre no meio do povo
Comia com eles, bebia com eles...
E fazia isso com tal frequência
Que foi preconceituosamente chamado de beberão, comilão
E amigo de pecadores. Claro que ele era amigo de pecadores!
Foi – como ele mesmo disse - para os doentes
E pecadores, que ele veio
*
Claro que os fariseus, doutores, religiosos e afins
Não conseguiam compreender o amor de Jesus
Como poderiam, com a alma que tinham?
Eles só amavam a si mesmos
*
Caramba! Eles gritavam e esperneavam, dizendo de Jesus
Ele se diz Filho de Deus... Mas veja só que hipócrita...
Ele anda com gente do mundo... E tem aquelas mulheres...
Todas da má fama... Adulteras e meretrizes
E sabe lá o que mais... Mas ele se diz Filho de Deus...
Como pode isso? Que idiota! Filho de Deus... Era só o que faltava
Vejam! Oh, meu Deus! Que blasfêmias! Que horror!
Ele ouve música do mundo! Ele senta-se à mesa com pecadores
Ele fala com mulheres da vida... Filho de Deus coisa nenhuma...
Filho de belzebu, isso sim. E esses supostos milagres que dizem que ele faz. Até parece... Quem vai acreditar nisso? Um carpinteiro... Isso é magia barata que ele aprendeu com belzebu
E assim eles iam vivendo... Olhando sem ver
*
Um dia – desconfiados da qualidade do amor de Jesus por Deus
Resolveram testá-lo. Foram até ele e perguntaram:
Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?
Era uma armadilha – mais uma. E Jesus sabia
Sabia que aquela pergunta era uma armadilha
E que também refletia a forma equivocada do amor deles
*
Antigo mandamento do amor, sobre o qual
Eles firmavam as teorias equivocadas da sua arte de amar
Estava incompleto. Era um bom mandamento
Mas tinha gerado muitos equívocos na arte de amar
E os fariseus eram parte desses equívocos
De uma má interpretação da Lei do amor
*
O mandamento em questão dizia o seguinte:
“Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração,
De toda a sua alma e de todas as suas forças.” (Dt 6:5)
*
Mas Jesus tinha algo mais a dizer - e acrescentar
A este antigo mandamento
*
Assim, quando perguntado sobre o maior dos mandamentos
Respondeu deste modo:
“Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração,
De toda a sua alma E DE TODO O SEU ENTENDIMENTO” – (Mateus 22:37)
*
Notem que ele acrescentou ao “amor de todo coração”
Um novo e importante aspecto da arte de amar
Enfatizou o que para os fariseus era um aspecto desconhecido
Do amor - amar DE TODO O SEU ENTENDIMENTO
Jesus sabia perfeitamente que quando o amor é tratado
Como coisa exclusiva do coração, ele fanatiza e cega
Enlouquece e faz acepção de pessoas...
Até que por fim, vira uma mera teoria vazia
Que todo mundo conhece, mas que ninguém exercita
*
Então, como modo de evitar o fanatismo cego do amor
Pois que ama a Deus sem entendimento é até capaz
De torturar e matar em nome desse amor
A Inquisição e tantas outras inquisições não me deixa mentir
Jesus aproveitou a pergunta deles para ensinar que o amor
Deveria ser também um amor DE TODO ENTENDIMENTO
*
Mais tarde Paulo vai insistir que o culto também deve ser racional
Mas essa já é outra questão
*
O fato que interessa aqui é que Jesus deixou
Mais do que óbvio, que o modo de amar
Dos seus acusadores e detratores, estava errado
Eles não sabiam amar. Amavam sem entendimento
Amavam como qualquer doido ama
*
Mais tarde Paulo vai dizer que os judeus amam a Deus,
Mas sem entendimento... (Romanos 10:2)
*
Acho que já posso para por aqui. Imagino que tenha ficado mais do que claro que amar de todo coração não basta. Penso que ficou entendido que Jesus deixou mais do que claro que o amor do coração deve ser submetido à razão.
Porque é a razão - iluminada pelo Evangelho - quem diz se isso que se sente por Deus é fanatismo, loucura, ou amor mesmo. É também a mente, iluminada pelo Evangelho, quem diz se isso que prestamos a Deus é verdadeiro culto, ou só qualquer coisa do nosso coração descontrolado
*
Sim, meus amigos e meus iguais em Cristo...
Se não submetermos o nosso amor à nossa razão
Isso que chamamos de amor só fará criar loucos e fanáticos entre nós...
E até o nosso culto terá mais aparência de loucura
Do que de culto racional a Deus
É isso.
O amor verdadeiro é coisa do coração, da alma e do ENTENDIMENTO.
Menos do que isso não é amor
É só coisa de gente sem entendimento e fanática
Coisa de gente que diz amar tanto a Deus
Mas que no fim crucificam o Filho dele
É, amigos meus - amor sem entendimento realmente cega
VBMello