11.9.14

AMOR E FÉ – FÉ E AMOR...


Para bem amar, é preciso crer.  Para bem crer, é preciso amar... Porquanto, o amor e a fé fundamentam-se um no outro, até chegarem a um ponto tal, em que - dentro e fora da alma - amar e crer se torna uma coisa só.

Assim, separado da fé - pois nos é dito que o amor tudo crê -, o amor ainda não é amor, é no máximo uma intenção esmorecida e indecisa de amar, se tanto.



Sem fé, a intenção de amar tomba e permanece para sempre ineficaz diante da multidão de dúvidas que assaltam o ato de amar sem crer...

Assim, aquele que se compromete a amar a Deus e ao próximo, deve ter certeza de que amar é realmente a única escolha possível da sua vida, e isso, não se engane, exige fé.

Exige fé, porque sem fé, todo ato de amor fica impossibilitado de transcender a multidão de dúvidas que o ato de amar sem fé, gera no coração descrente da eficácia e da suficiência dos gestos de amor...

De modo que, em toda e qualquer circunstância, sem o sustentáculo transcendente da fé, o amor logo esmorece e perde a força de amar. Da mesma maneira, sem amor, a fé logo desiste de crer.

Amor e fé – um não pode existir sem o outro.  Amor e fé – Para que um seja possível, o outro tem necessariamente que existir. Amor e fé – a inexistência de um, torna ineficaz o outro.

Fé sem amor, não é fé, é fanatismo... Porque a fé verdadeira só se realiza por meio do amor. Mas, para o fanático, todo meio é válido para atingir o seu objetivo proposto, até mesmo o ódio, até mesmo a violência.

É só ter olhos para ver, e ouvidos para ouvir... Em todo lugar em que o fanatismo se instala, ele produz violência, exclusão e morte... Porque o fanático só alcança o seu ideal de vida por meio da ação violenta, seja que tipo de violência for - psicológica, física, ou as duas combinadas...

Porém, não é assim com a verdadeira fé, pois esta não pode prescindir de gestos de amor para se tornar manifesta. De modo algum, a verdadeira fé se utiliza de atos violentos para se confirmar como fé. Ao contrário, confiantemente, ela vence o mal como meio de atingir os seus objetivos, e se realiza por meio exclusivamente de gestos de amor e liberdade.

Não existe qualquer dúvida quanto a isso, amar como o evangelho nos pede para amar, só é possível como ato de fé. Assim - que coisa maravilhosa é isso – num casamento perfeito -, o amor só se realiza por meio de atos característicos de fé, e a fé só se realiza por meio de atos específicos de amor... E o que passar disso é mero fanatismo.

Deste modo, para manter perfeita a saúde da fé - e não correr o risco de virar um fanático enlouquecido e intratável dono da verdade-, é necessário amar sem medida.

Da mesma maneira, para manter perfeita a saúde do amor, sem correr o risco de fazer do ato de amar, uma doença para o corpo e para a mente, é preciso crer...

VBMello